Neste post irei descrever o nervo trigémio para relembrar as aulas de anatomia, mas terei especial atenção em relembrar alguns promenores que são importantes para nós osteopatas na hora de tratar uma disfunção que envolva o nervo trigémio.
Como sabemos o nervo trigémio é composto por uma componente sensitiva (a maior) e por uma componente motora.
As duas raízes do V par têm origem aparente na face anterior (ântero-lateral) da ponte, no nível da união do terços inferiores e no limite com os pedúnculos cerebelares médios.
O nervo provem de 4 núcleos, sendo 3 sensitivos e 1 motor, dando origem aos seguintes nervos:
V 1 – nervo oftálmico (sensitivo)
V2- nervo maxilar (sensitivo)
V3 – nervo mandibular ( sensitivo e motor)
Trajecto do nervo
Para acompanharmos o trajecto do nervo coloco um video do famoso anatomista ACLAND.
Através deste video iremos seguir o nervo e tentar tecer alguns comentários osteopáticos, sobretudo em possíveis locais de perturbação do nervo.
Depois de sair da ponte, atravessa a fossa cerebral posterior e tem de atravessar um canal na dura mater entrando depois numa cavidade designada por cavidade do trigémio também conhecida como fossa de Meckle.
Neste ponto as tensões meningeas como por exemplo compressões da SEB ou torções craniais, que coloquem muita tensão na tenda do cerebelo, podem perturbar o nervo nesta passagem e neste caso teremos sintomas que manifestem a sua compressão antes da sua divisão nos 3 nervos. Desta forma teremos sintomas em toda a face e não apenas na região correpondente a cada raiz. Também neste caso podem existir alterações do tónus dos músculos mastigadores.
Nesta fossa de meckel encontraremos o Gânglio do trigémio ( também conhecido como gânglio de gasser), local de sinapse do nervo trigémio antes da sua divisão nas 3 raizes.
Esta fossa de meckel está situado por cima da região petrosa do osso temporal, por isso perturbações neste osso (sobretudo as de rotação) podem provocar pressão neste gânglio e originar sintomas do trigémio. Um exemplo clássico é uma alteração na articulação ATM, que altere a posição do osso temporal, com consequente sintomatológia do nervo trigémio.
Iremos agora falar dos 3 nervos, possiveis locais de perturbação e sintomas associados.
Nervo oftálmico V 1
Sai do gânglio do trigémio e dirige-se superiormente para atravessar a fissura orbital superior.
Dá as seguintes ramas:
Nervo Frontal
Nervo lacrimal
Nervo nasociliar
Este nervos, todos sensitivos são responsáveis pela informação do tipo tacto, dor, temperatura e informação proprioceptiva da conjuntiva, córnea, olho, órbita, testa, etmoide e seios frontais.
O nervo lacrimal leva informação sensitiva da glândula lacrimal, mas não é responsável pela sua secreção (provém do parassimpático do VII).
O nervo nasociliar inerva toda a mucosa da cavidade nasal e dos seios aéreos etmoidais.
O principal local onde este nervo pode ser perturbado é a nivel da fissura orbital superior, ou seja entre a ala maior e menor do esfenoide.
Quando existe uma perturbação a este nivel além das dores no território cutáneo de V1, podemos ter alterações lacrimais, de iridodilatação (pela relação com o gânglio ciliar), e dores no olho (bastante comum em consulta).
Por isso, sempre que suspeitarmos de uma lesão a este nivel, devemos rever os ossos em relação com o esfenoide nesta zona, nomeadamente o frontal, etmoide, maxilar superior, unguis e temporal, sem nos esquecermos do anel de zinn.
Nervo maxilar
O nervo maxilar depois de deixar o gânglio do trigémio atravessa o Buraco Redondo Maior do esfenoide.
Este nervo transmite informação sensitiva dos maxilares e pele correspondente, cavidade nasal, paladar, nasofaringe e meninges da fossa craniana anterior e media. Convem realçar que é deste nervo que se divide o nervo alveolar superior, que transmite a dor dos dentes superiores por isso se tivermos pacientes com dores ou sensibilidade dentária sem razões dentárias, podemos suspeitar de patologia deste nervo.
Este nervo também está diretamente relacionado com o ganglio esfeno-palatino (apenas sensitivamente), pelo que também pode estar envolvido em perturbaçoes lacrimais e da secreção nasal.
Na imagem seguinte apresento as suas ramificações e buracos que atravessa no cranio.
Além de ser perturbado no buraco redondo maior, é importante o canal orbitário inferior, por ser um lugar comum de lesão sobretudo nos traumatismos anteriores da cara.
Como inerva ass fossas nasais pode estar implicado nas rinites e sinusites.
Pela sua relação com o gânglio esfeno-palatino pode estar envovido quando hà alterações lacrimais e da secreção nasal ( ver também o nervo facial).
Para o testar podemos pressionar o orificio suborbitário e ver se reproduzimos os sintomas, além de avaliar a sensibilidade do seu território cutâneo.
Nervo mandibular V3
O nervo mandibular é, dos 3, aquele que para além de ser sensitivo, também é motor.
Este nervo sai pelo buraco oval ,depois de se desprender do gânglio do trigémio e origina várias ramas que a seguir se podem ver na imagem.
Irei-me alargar um pouco neste nervo pela sua implicação clinica.
Este nervo, depois da saida, tem de atravessar o músculo pterigoideu lateral pelo que pode ser perturbado a este nivel quando existe uma disfunção da ATM.
O nervo bucal transmite a informação sensitiva da mucosa oral e bochechas. A sensibilidade da porção lateral da cabeça e do couro cabeludo é transmitida pelo nervo auriculo-temporal. Este nervo inerva a zona da ATM, do meato auditivo externo e juntamente com o VII e X também inervam a membrana timpanica (hipersensibilidade do ouvido).
A sensibilidade de todo o maxilar inferior e dois terços anteriores da lingua é transmitida pelo nervo lingual e pelo maxilar inferior. É importante lembrar que o nervo lingual provém da união com o nervo corda do timpano que traz consigo a rama gustativa e parassimpática do VII bis. Por isso sempre que tivermos alterações de sensibilidade ou gosto da lingua devemos avaliar o nervo facial e a rama mandibular do trigémio. Sendo que o trigémio se encarrega do tacto da lingua e temperatura e o facial do gosto.
As fibras sensoriais do queixo e do labio inferior convergem para formar o nervo mentoniano, que entra no buraco mentoniano, local onde pode ser testado se pressionado.
As fibras sensoriais dos nervos alveolares inferiores transmitem a sensibilidade dos dentes inferiores.
A rama motora do nervo mandibular inerva os músculos mastigadores: masseter, temporal, pterigoideu medial e lateral, porcão anterior do digástrico, milohioideu e também o tensor do véu do paladar e tensor do tímpano.
Problemas neste nervo podem dar dor no território cutáneo correspondente, dores nos dentes ou na ATM. Dada a sua relação (apenas sensitiva) com o gânglio sub-mandibular também pode provocar alterações da salivação.
Sempre que suspeitarmos de implicação deste nervo devemos avaliar o esfenoide, o temporal, unidade pterigo-palatina-maxilar e prováveis alterações da ATM , sem esquecer de avaliar cervical superior pois pode estar a facilitar as suturas e as mesmas zonas cutâneas!
Espero que tenham gostado desta revisão!estou a espera dos vossos comentários e se gostarem podem partilhar!
Flávio Mateus







Tenho dores de cabeça, dores na face , no olho, no ouvido, no pescoço, etc. Falam em enxaqueca, ATM,, tensão emocional, mas sei que não é nada disso ou tudo isso também. Sou de estrutura pequena, meus dentes são muito juntos e por conta de tudo isso, sempre pensei nesse tal nervo…Oftalmologista nunca ouviu falar em dor no olho, neurologista receita ansiolíticos, e por aí vai, e ninguém resolve o meu problema. Esse texto me deu um super esclarecimento. Que médico devo procurar? Analice Ferreira, 57 anos, sou de Sjriopreto, SP.
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Olá Analice,deve procurar um osteopata com formação em cranial. Sei que no Brasil existe Osteopatas formandos pela escola de Osteopatia de madrid! Procure um na internet!cumprimentos. Flávio Mateus
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Olá Analice, alguns odontologos trabalham com reabilitação neuroclusal. Pelos seus sintomas, existe uma grande possibilidade do diagnóstico se disfunção do sistema de cabeça e pescoço. Obviamente exames são necessário para investigação e conclusão.
Conheço profissionais em SP. Em Curitiba, tenho uma clínica exatamente com foco nesta patologia.
Uma abraço,
Diego Rocha Vieira
(41)35018078
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Muitos boa essa divisão!
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Olá Analice, alguns odontologos trabalham com reabilitação neuroclusal. Pelos seus sintomas, existe uma grande possibilidade do diagnóstico se disfunção do sistema de cabeça e pescoço. Obviamente exames são necessário para investigação e conclusão.
Conheço profissionais em SP. Em Curitiba, tenho uma clínica exatamente com foco nesta patologia.
Uma abraço,
Diego Rocha Vieira
(41)35018078
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Olá,será que a osteopatia craniana trataria da nevralgia do nervo trigêmeos? Grato.
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Sim Claro! procure um bom profissional!
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