Relação entre as cervicobraquialgias e as disfunções broncopulmonares

É frequente encontrar pacientes com dor no pescoço com irradiação ao membro superior em pacientes que sofrem ou sofreram de patologias do foro respiratório. 

Doentes com disfunções bronco-pulmonares ou que ao longo da vida tiveram algum episódio de doença pulmonar, como por exemplo uma pneumonia, têm tendencia a desenvolver alterações do parenquima pulmonar, tecido pleural e/ou sistema ligamentar que sujeita os pulmões de tal forma que altera a mobilidade dos pulmões e do padrão respiratório normal.
De uma forma simples, podemos dizer que estas alterações de mobilidade provocam adaptações posturais que de diversas formas podem afectar a cervical e compremeter o plexo braquial em diferentes locais. Ora vejamos alguns:
Em primeiro lugar vejamos o que pode acontecer a cervical: nos doentes com restrição da caixa torácica é frequente a existência de alterações na curvatura fisiológica da cervical. Normalmente temos um diafragma hipotónico com uma hiperlordose aumentada ou um diafragma hipertónico com uma rectificação cervical. Em ambos os casos isto pode aumentar a sobrecarga discal e favorecer um processo degenerativo ou compressivo que provoque a irritação das raizes nervosas.


Em segundo lugar disfunções respiratórias podem alterar a musculatura respiratória de tal forma que os músculos escalenos e os peitorais menores tenham de trabalhar em demasia e provocar um espasmo crónico de tal forma que comprimem o plexo braquial na passagem entre escaleno anterior e médio ou quando este passa por debaixo do músculo peitoral.


Em terceiro lugar destaco a importância do àpice pulmonar e dos ligamentos suspensórios. Existem 3 expansões fasciais da pleura parietal que se ligam na primeira costela e nos segmentos verterbais C7 e D1 e que podem alterar a mecânica respiratória provocando um síndrome compressivo entre a primeira costela e a clavicula.


Um osteopata além de identificar estes problemas é capaz de trabalhar os músculos e as estruturas ósseas que estão na origem da irritação nervosa, mas mais importante ainda, é capaz de libertar as aderências fasciais da pleura, tecido endotorácico e mediastino para que os efeitos sejam duradouros ou definitivos, uma vez que se está a resolver a causa e não apenas trabalhar sobre o problema.
Flávio Mateus

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